A contribuição de Dorothy Porter Wesley para a Organização e Representação do Conhecimento da diáspora africana como prática contra-hegemônica frente ao viés racial
DOI:
https://doi.org/10.24208/rebecin.v13.471Palavras-chave:
Organização do Conhecimento, Dorothy Porter Wesley, Epistemologias negrasResumo
Este estudo analisa as relações de poder na Organização e Representação do Conhecimento (ORC), destacando como os sistemas classificatórios reproduzem epistemologias eurocêntricas e marginalizam saberes negros. O objetivo é analisar, em perspectiva teórica, a classificação desenvolvida por Dorothy Porter Wesley para a produção intelectual negra, com base em seu caráter contra-hegemônico no âmbito da organização e representação do conhecimento. O referencial teórico se fundamenta nas discussões sobre colonialidade do saber, justiça informacional e crítica ao viés racial nos sistemas de classificação. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa básica, de abordagem qualitativa e caráter exploratório, desenvolvida por meio de pesquisa bibliográfica e análise temática. Os resultados iniciais indicam que a classificação desenvolvida por Dorothy Porter Wesley operou como uma prática contra-hegemônica ao romper com a lógica da Classificação Decimal de Dewey, a qual invisibilizava temas afro-diaspóricos. Wesley elaborou uma estrutura própria que desafiou a hegemonia eurocêntrica por meio da criação de categorias específicas e da ampliação vocabular, conferindo legitimidade à produção intelectual da diáspora africana. Conclui-se que o enfrentamento do viés racial na ORC transcende questões técnicas, exigindo dos profissionais uma postura ética e política que deve ser construída desde a formação, por meio da revisão curricular, da educação antirracista, decolonial e intercultural e da promoção de experiências didático-pedagógicas voltadas aos saberes ancestrais e tradicionais. Nesse sentido, a proposta classificatória de Dorothy Porter Wesley constitui um importante referencial para a construção de práticas contra-hegemônicas voltadas à decolonização dos saberes e à promoção da justiça epistêmica nos ambientes informacionais.
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